Azul. Era tudo o que eu via, uma imensidão azul. Tentei desviar o olhar algumas vezes, voltar a lucidez, mas tudo o que cobria meu campo visual era o mar dos seus olhos.
Eu já estava dentro, quando me dei conta, desse oceano infinito. Antes, calmo; hoje, agitado. As ondas me balançavam de um lado para o outro, como se quisessem me deixar atordoada, sem meus sentidos, sem minha luz... E conseguiram! Eu estava envolvida por aquelas águas salgadas, envolta em um círculos brancos e azuis sem fim, que me levaram a lugar nenhum, primeiramente.
Fechei os olhos, respirei fundo, arfei uma ou duas vezes, e, tomando coragem, decidi abrir meus olhos. Demorei alguns segundos até que eles se acostumassem com a luz que vinha de fora, até que atingisse o ponto certo da minha retina e tomasse forma. Pisquei forte, para lubrificar meus olhos que, secos, iam tornando a imagem cada vez mais nítida.
Eu estava em casa, finalmente, e isso me confortava mais do que qualquer coisa. Descobri o quão bom é estar em terra firme, com os pés no chão. Eu não precisava daquilo, eu não precisava de tudo aquilo. Teu mar não era meu, ele não era de ninguém; nem mesmo seu. Você não tinha resistência, muito menos capacidade de tomar conta de algo tão maravilhoso. Você se afundou na própria ilusão, na própria criação...
Eu me libertei disso tudo antes mesmo de se tornar essa catástrofe. Me libertei. E você... Você convive com isso, se auto-destruir quando quer fugir de algo. Você é um exemplo perfeito de algo que não merece nem ao menos estar presente nas minhas lembranças.
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